quinta-feira, maio 03, 2007

As 7 Maravilhas Comerciais...

Com base no artigo de Pedro Sobreiro na Rádio Portalegre que poderão ler aqui, não poderia deixar de estar mais de acordo!

De facto o Tuga é bom a apanhar boleia de outros e neste caso, houve quem conseguisse desenrascar-se bem com esta onda das 7 Novas Maravilhas do Mundo, cuja apresentação vai decorrer em Lisboa, no Estádio da Luz, cerimónia que se espera que venha a ser um dos espectáculos televisivos mais televisionados de sempre. Portugal que não tem nenhum monumento incluído nos candidatos a 7 Novas Maravilhas do Mundo decidiu então apanhar a boleia da promoção e da vertente comercial e organizar as 7 Maravilhas de Portugal.

Até aqui tudo bem, caso esta organização fosse por inteiro do Ministério da Cultura algo que não acontece, pois são duas empresas que organizam as 7 Maravilhas de Portugal e que tem feito dinheiro que tem sido uma loucura com a cedência de direitos e depenando as Câmaras Municipais dos concelhos onde há monumentos a concurso. As localidades ganham com este concurso? Parece-me claramente que sim, contudo e devido à projecção monumental, histórica e turística que estas localidades e os monumentos já dispunham antes de se iniciar este concurso das 7 Maravilhas de Portugal, parece-me que as empresas promotoras têm muito mais a ganhar!

Quem fica a perder? Bom, além das Câmaras Municipais, parece-me que as localidades do interior e as menos populosas ficam a perder. Por vários factores. E aqui incluo Vila Viçosa.

Primeiro o factor económico. Por certo não será do interesse dos altos senhores que os turístas possam eventualmente perder turístas para o interior de Portugal. Se há a hipotese de aumentar o turismo no litoral, porquê fazê-lo no interior?!?!

Segundo a localização geográfica. É natural que Óbidos, Tomar, Sintra, Alcobaça, Almourol (Vila Nova da Barquinha), Batalha ou Conímbriga (Condeixa-a-Nova) sejam mais votados do que as localidades do interior com excepção de Évora. Ficam estrategicamente localizadas no centro de Portugal e no litoral, e que com uma maior fluxo de pessoas permita que sejam mais visitadas do que Vila Viçosa, Marvão, Monsaraz ou Vila Real por exemplo.

Terceiro a densidade populacional. Este é também um dos factores que irá influênciar decidamente a votação. Como pode Vila Viçosa competir com concelhos com um maior número populacional? É simples não pode. Évora com quase 60.000 habitantes no seu concelho ainda vai tendo essa capacidade, agora Vila Viçosa é completamente impossível! E com as taxas de alfabetização dos concelhos do litoral? Também não pode. É simples, esta votação foi durante meses uma votação elitista, em que só se podia votar por Internet. Agora já se pode votar por telefone ou por SMS. Tentem agora explicar aos idosos do concelho de Vila Viçosa o que é a Internet, o que é um telemóvel ou a pagar 60 cêntimos para votar no Paço Ducal... Tentem fazer o mesmo com um idoso de Lisboa, Porto, Coimbra ou Guimarães... E temos ainda as faixas etárias. As localidades que referi atrás têm mais jovens do que o concelho de Vila Viçosa tem habitantes...

Por fim as Etiquetas. Acho muita piada quando referem que Guimarães é o Berço da Nação, que se somos Portugueses o devemos a D. Afonso Henriques e a Guimarães. Concordo parcialmente. É graças as estas etiquetas que umas localidades se tornam mais conhecidas em relação a outras, tanto em Portugal como no estrangeiro. Como atrás disse concordo parcialmente. Se Portugal nasceu em Guimarães, renasceu em Vila Viçosa. Se D. Afonso Henriques e Guimarães deram início ao nosso Portugal e à nossa Independência, D. João IV e Vila Viçosa restauraram essa mesma Independência! E nunca ouvi ninguém falar disso na televisão, ou onde quer seja que for! Vila Viçosa foi a Capital da Casa de Bragança. Guimarães pertencia aos Duques de Bragança... Não sei se me faço entender...

Assim, e se no inicio deste concurso fiquei efusivamente entusiasmado considerando que o Paço Ducal de Vila Viçosa era candidato às 7 Maravilhas de Portugal, agora começo a ficar um pouco desiludido por esta eleição que devia ser do povo, ser mais uma maneira de alguém ganhar muito dinheiro. O Paço Ducal de Vila Viçosa não está entre os dez mais votados. Também ainda não recebemos o road-show, será a 19 e 20 deste mês, assim como ainda faltam dois meses para o fim da votação e só agora, lentamente Vila Viçosa vai despertando para esta eleição. Assim, considero que Vila Viçosa é claramente um outsider com ainda algumas boas hipoteses de cortar a meta em lugares pontuáveis, leia-se 7 primeiros. Acredito que isso ainda é possível!

Assim peço aos amigos leitores que votem no Paço Ducal de Vila Viçosa por Internet, por telefone e por sms! Que divulguem o Paço Ducal de Vila Viçosa! Que visitem Vila Viçosa com os vossos amigos e apreciem com os vossos próprios olhos o que melhor Vila Viçosa vos pode oferecer e que de certeza não encontram em mais lado nenhum em Portugal! E de boleia votem também nas 7 Maravilhas de Vila Viçosa, esta sim uma iniciativa sem qualquer objectivo comercial, apenas de divulgação e que até agora tem sido um sucesso!

Vamos contrariar a lógica que há largos anos impera em Portugal. Vamos colocar um monumento do interior nas 7 Maravilhas de Portugal. Mas acima de tudo, vamos dar o devido reconhecimento ao Paço Ducal de Vila Viçosa, local onde Portugal recuperou a sua Independência!

quarta-feira, abril 18, 2007

Tardes do Alentejo

Irá amanha passar na Rádio Campanário, Voz de Vila Viçosa, uma entrevista dada por mim em nome do Terras de Mármore apresentando ao pormenor a votação das 7 Maravilhas de Vila Viçosa, tendo também a hipotese de ouvir outras curiosidades. Numa entrevista agradavelmente conduzida por Maria João Velez, esta é mais uma oportunidade de divulgar os monumentos, a história, a beleza, a gastronomia e as gentes da Princesa do Alentejo.

Assim, amanha além dos spots publicitários que já estão a passar desde hoje na Rádio Campanário, poderá ouvir excertos da entrevista nos blocos noticiosos das 8:30h, 10:30h e das 13:00h. O programa Tardes do Alentejo irá iniciar-se às 15:00h, sendo a entrevista passada a partir das 16:00h. Poderá ouvir sintonizando no Alentejo 90.6FM ou através da Internet em através do site da Associação Portuguesa da Radiodifusão, clicando na coluna à direita em ROLI - Rádios Online na Internet, escolhendo depois o distrito de Évora e por fim a Rádio Campanário.

Aproveito também para lançar o meu muito obrigado à Rádio Campanário e à Maria João Velez pela oportunidade de divulgar as 7 Maravilhas de Vila Viçosa.

Para terminar, já votou nas 7 Maravilhas de Vila Viçosa? E também já votou no Paço Ducal de Vila Viçosa para as 7 Maravilhas de Portugal? Não?!?! Não espere mais!

Para votar nas 7 Maravilhas de Vila Viçosa vá à barra lateral para ver os monumentos calipolenses a concurso e envie o nome dos seus 7 monumentos preferidos para orestaurador@gmail.com ou terrasdemarmore@sapo.pt, indicando o seu nome e localidade.

Vote também no Paço Ducal de Vila Viçosa para as 7 Maravilhas de Portugal aqui através do seu e-mail ou telefonando para o 760 10 00 77 e depois digite 14 ou ainda através SMS enviado a palavra "PORTUGAL" espaço 14.

Não se esqueça, Seja Fã de Vila Viçosa, ajude a fazer do Paço Ducal de Vila Viçosa uma das 7 Maravilhas de Portugal!


terça-feira, fevereiro 06, 2007

Renascença Regiões

Acabou de passar no programa da Rádio Renascença, Renascença Regiões, a entrevista que dei em nome da organização das 7 Maravilhas de Vila Viçosa, reforçando assim a divulgação de Vila Viçosa, da sua história, do seu património e do concurso do Paço Ducal de Vila Viçosa às 7 Maravilhas de Portugal e também do concurso das 7 Maravilhas de Portugal.

Poderá ouvir a entrevista na Rádio Campanário hoje entre as 15h e as 18h.

Deixo desde já o meu muito obrigado pela disponibilidade do jornalista Carlos Coutinho da Rádio Renascença e pela divulgação de Vila Viçosa e das suas maravilhas.

Inda não votou em ambas as iniciativas? Não perca mais tempo, vote nas 7 Maravilhas de Vila Viçosa e de caminho vote também no Paço Ducal de Vila Viçosa para as 7 Maravilhas de Portugal.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

7 Maravilhas de Vila Viçosa

É com a maior felicidade, com a maior das honras e o maior dos orgulhos que declaro oficialmente aberta a votação para as 7 Maravilhas de Vila Viçosa.

Esta é uma organização do Terras de Mármore que está a ter o apoio do blogues individuais dos autores do Terras de Mármore: A Interpretação do Tempo, Calipole - Vila Viçosa - Princesa do Alentejo, INFOCALIPO, Intervisão, O Restaurador da Independência e Tomar Partido; assim como dos blogues e sites Calipolenses: Daniel Moreira, Grupo Desportivo Bairrense, Neste Meu Alentejo, O Blog de São Romão, O Calipolense Taurino e o Partido Socialista de Vila Viçosa.

Contamos também com o apoio oficial da Associação Juvenil Doutor Jardim e do Grupo Desportivo Bairrense, assim como estamos actualmente em contactos com a Câmara Municipal de Vila Viçosa, Junta de Freguesia de Conceição e Junta de Freguesia de São Bartolomeu, tendo-se mostrado bastante interessadas em cooperar connosco.

Da lista original de 61 monumentos do Concelho de Vila Viçosa, chegam agora à votação final 21 monumentos. Estão representados Vila Viçosa, Pardais e São Romão, não tendo Bencatel nenhum representante nesta lista final. São 21 monumentos que poderão encontrar detalhadamente na barra lateral deste blogue, clicando em cada um para poderem aceder à sua descrição e às suas imagens. Após ter escolhidos os seus 7 monumentos preferidos, envie um e-mail para orestaurador@gmail.com ou terrasdemarmore@sapo.pt indicando o seu nome, a sua localidade e os 7 monumentos que acha que merecem que sejam consagrados como as 7 Maravilhas de Vila Viçosa. Tarefa dificil, nós sabemos.

Cada pessoa poderá apenas votar uma vez, e os resultados das 7 Maravilhas de Vila Viçosa irão ser divulgados no dia 7 de Julho de 2007, em simultâneo com as 7 Novas Maravilhas do Mundo e com as 7 Maravilhas de Portugal. E falando em 7 Maravilhas de Portugal, já votou no Paço Ducal de Vila Viçosa para as 7 Maravilhas de Portugal? Se ainda não o fez, aproveite para votar no site das 7 Maravilhas de Portugal.

Iremos também ter mais iniciativas no âmbito das 7 Maravilhas de Vila Viçosa e das 7 Maravilhas de Portugal que iremos divulgar aqui e nos blogues de apoio atempadamente. E todos vós estão desde já convidados a participar!

Vila Viçosa terra de tradições, história e património, une-se deste modo à votação do Paço Ducal de Vila Viçosa para as 7 Maravilhas de Portugal. Uma das mais belas vilas de Portugal, fulcral no decorrer da história de Portugal, sendo o Rei Restaurador da Independência, D. João IV, natural de Vila Viçosa, assim como muitas outras personalidades portuguesas como D. Catarina de Bragança, Florbela Espanca, Henrique Pousão, Públia Hortênsia de Castro, Bento de Jesus Caraça, Martim Afonso de Sousa Cristóvão de Brito Pereira, D. Constatino de Bragança, Artur Bívar, Túlio Espanca, Nuno Portas entre muitos outros... Venha até Vila Viçosa e faça o roteiro das Maravilhas de Vila Viçosa, visite os 21 candidatos e depois vote nos 7 candidatos seus preferidos. Verá que não se irá arrepender, pois como se canta em Vila Viçosa "... e não há tenho a certeza, terra com tanta beleza, como tem Vila Viçosa!"

Deixo-vos agora a listagem dos 21 finalistas:

Senhoras e Senhores, os Monumentos estão lançados, podem começar a votar!!!

Terreiro do Paço

É este terreiro uma das mais belas praças do país, espaço amplo e desafogado com cerca de dezasseis mil metros quadrados, localizado à entrada da fidalga e nobre Vila Viçosa, quando se vem do lado de Borba e Estremoz e da Fronteira de Elvas, deixando à direita a Capela Real e os jardins do Paço.

Antes de penetrar nesta verdadeira sala de visitas, observa-se à direita a famosa e esbelta Porta dos Nós, símbolo do poder fidalgo do Braganças, e à esquerda a Porta do Nó, antiga porta da vila, evocativa também da Restauração da Independência de da Padroeira do Reino de Portugal.

Maravilha-se o visitante com a imponência da Estátua Equestre do Rei Restaurador D. João IV, e com a majestade do antigo paço residencial dos Duques de Bragança e das igrejas-panteões dos seus despojos.








In Vila Viçosa – Vila Museu

Imagens - Câmara Municipal de Vila Viçosa e O Restaurador da Independência

Para votar no Terreiro do Paço envie um e-mail para orestaurador@gmail.com ou terrasdemarmore@sapo.pt

Tapada Real

A dois passos da vila ducal situa-se a famosa e histórica Tapada Real, prédio rústico integrado no antigo património da Sereníssima Casa de Bragança.

Quem passa por Vila Viçosa mal se apercebe da sua presença. No entanto, o visitante que venha pelo antigo “Caminho dos Castelhanos”, hoje estrada nacional de Elvas, por Borba, ficará sabendo que, desde a lagoa da Albufeira, ao longo da estrada se estende boa parte do paredão que faz cerca no perímetro de 18 km2 da vasta propriedade brigantina.

Foi Formosíssimo parque de distracções dos antigos duques seus fundadores, D. Jaime, D. Teodósio I, D. João I e D. Teodósio II, e continuou, depois de uma pausa de abandono que se seguiu à visita de El-Rei D. João V, a reunir dentro dos seus muros as comitivas reais de D. Pedro V, D. Luís e D. Carlos, que em seus horizontes divisaram fartos de motivos de beleza e diversão cinegética.



Famoso lugar de delícias lhe chamou Lorenzo Magalotti, relator encarregado do diário de viagem de Cosme de Médicis pelas Espanhas, há cerca de trezentos anos…

Sua fama, porém, tem origem em tempos distantes da fixação dos Duques de Bragança em terras do Alentejo, caminhando na sua própria história de recinto de recreação fidalga. Sua extensão foi aumentada até se delimitarem as fronteiras, dentro das quais um autêntico paraíso terreal se ia criando a ponto de suas fontes, jardim e mais encantos terem inspirado um belo poema ao grande Lope de Vega: «En verdes valles de jardines tiene / Quantas flores há visto el fértil Mayo…»

D. Luís de Meneses, no “Portugal Restaurado”, revela que para o Duque D. João II a Tapada de Vila Viçosa, era todo o seu divertimento, não receando considerá-la “uma das maiores e mais abundantes de caça de toda a Espanha”.

Através dos tempos sofreu a Tapada largos benefícios que seus senhores e seus apaixonados não sabiam regatear-lhe: alargamento progressivo da sua extensão, preparação e arranjo de caminhos, arroteamento de terras de cultura, edificação de muro de cerca, erecção de três ermidas (Santo Eustáquio, São Jerónimo e Nossa Senhora de Belém), construção de um belo palacete, iniciado por D. Teodósio I em 1540. Ali adorava o futuro D. João IV fazer pousada durante largas temporadas, recreando-se no prazer da caça e alongamento dos seus pensamentos, até ao momento em que ali foram quebrar o encanto os embaixadores da Conjura do 1º de Dezembro…



Relembramos também que a respeito da Tapada Ducal, mais perto dos nossos dias, também escreveu o Conde de Arnoso em «A Arte e a Natureza de Portugal»:

«O relevo do terreno e as belas árvores que o ensombram dão um grande encanto às tapadas. Logo, à entrada, da ermida de São Jerónimo, abrigada por formosíssimos pinheiros mansos, é esplêndido o panorama que se descobre. Mais longe, e ainda na primeira Tapada, nada mais pitoresco que a branca ermida de Santo Eustáquio, redonda como uma mesquita, coroando o Monte da Atalaia e mandada construir por D. Teodósio II. Para o outro lado, no fundo dum pequeno vale, a nascente das famosas águas férreas.»

Mais adiante, maravilhado com os encantos que seus olhos viram ao natural, porque foi por mais de uma vez, um dos comparsas das comitivas de caça do Rei Martirizado, o Conde de Arnoso dá largas à sua apreciação:

«…Com manchas de mato por causa da caça, a segunda Tapada constitui toda ela um magnífico montado de azinheiras e sobreiros, com alguns pinhais e olivedos. Nesta Tapada, onde há espaços muito agrestes, cada dobra do terreno se desenha numa paisagem deliciosa.»





Hoje a Tapada não difere muito da descrição de que em 1904 deixou dela o escritor. Não é apenas uma evocação histórica, ainda que, indispensavelmente ligada a tantos momentos interessantes da história pátria. Vale a pena percorrer as suas largas extensões, de preferência a cavalo num bom ginete, à maneira alentejana, como tanto era do agrado do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia, as últimas pessoais reais que, por entre mato espesso da charneca, entretiveram momentos de lazer nas batidas de caça grossa. Foi sempre, como é ainda hoje – sem embargo da condição de exploração agrícola – um magnífico parque de caça. Em tempos primitivos (1515) povoaram-na de javalis, gamos e outra caça, para melhor satisfazer os prazeres venatórios dos duques que se fixaram em Vila Viçosa, D. Jaime e seu filho D. Teodósio, principalmente. Construiu este último, no seu termo, um palacete, ainda existente, e que, por si só, justifica uma visita. Nele, no Verão de 1573, receberam os senhores da nobre Casa de Bragança a visita régia de D. Sebastião. Junto deste Paço da Tapada, em hora de caçada, segundo reza a tradição, receberia o duque D. João II a mensagem de Pedro de Mendonça, enviado da conjura gloriosa de 1º de Dezembro, que haveria de transformar o senhor ducal em senhor todo-poderoso dos destinos da grei portuguesa.

Foi precisamente com a saída do então Rei D. João IV para a corte de Lisboa que o delicioso parque de Vila Viçosa perdeu muito da sua atracção. E só em 1729 D. João V, por ocasião da troca das princesa no Caia, veio a ela. Com os rasgos magnânimos que caracterizavam a sua administração, o embelezou e alargou até aos limites que hoje ainda conserva, mandando construir novo muro e fixando a sua entrada principal na nova porta do Outeiro de S. Bento que deita, a Ocidente, sobre a fachada do vestuto Paço Ducal e sobre o casaria alvinitente do burgo tranquilo da nobre povoação.



Com as obras de D. João V e de D. José I (o extenso muro que se alargou até à chamada Porta de S. Bento que ainda hoje ostenta as armas reais deste último monarca, a moradia para os couteiros de pé e de cavalo, a enfermaria e outras beneficiações) a Tapada Ducal adquiriu excepcionais condições de parque ideal para as incursões venatórias.

D. José caçou ali em 1751 e 1769 e desde então até D. Pedro V escassearam, as caçadas reais, daí derivando um extraordinário incremente na multiplicação das espécies, a ponto de os administradores da Tapada se verem forçados a exterminar todos os javalis e desbastar os gamos e os veados, cuja carne se vendia a retalho nos açougues dos Clérigos e de Borba.

D. Pedro V, três vezes caçou em Vila Viçosa, em 1860 e 1861 e com a sua presença se iniciaria um novo ciclo na tradição das grandes caçadas reais nesta tão importante coutada. Logo seu irmão D. Luís, quando rei e já acompanhado do Príncipe Real D. Carlos e do infante D. Augusto, ali se divertiu de 18 a 25 de Janeiro de 1867. Em 1882 o Rei de Espanha Afonso XII também caçou na Tapada a convite do monarca português, realizando-se uma bela caçada.



D. Carlos, como Príncipe e depois como Rei, atirador exímio, foi sempre um devoto apaixonado das caçadas de Vila Viçosa, não faltando os seus numerosos convidados na época própria, enchendo o Paço e a Vila do maior movimento e entusiasmo. Os dias da sua presença em Vila Viçosa tornavam-se forçosamente dias de festa para o povo, o qual também tinha nas caçadas reais, e a convite do Rei, os seus melhores representantes na arte de caçar. Também outra das grandes paixões de D. Carlos, a arte de desenhar e de pintar, encontrou fortes motivos de inspiração na famosa Tapada de Vila Viçosa, no tão celebrado Marco da Lua, por exemplo. O quadro Sobreiro, de sua autoria, lá se encontra ainda exposto no Museu do Paço Ducal, a atesta ao lado de outras obras-primas de El-Rei D. Carlos, a arte magnífica a que se entregava com tanta devoção. Outros breves apontamentos de inspiração cinegética, deixou D. Carlos nos ornatos felizes das ementas dos grandes banquetes com que obsequiava os seus ilustres convidados.



Estas são razões históricas que justificam um passeio, pela vasta Tapada. Aqui e além, não poderá a sensibilidade de quantos gostam de reviver o Passado, ficar indiferente perante a evocação de momentos vividos por destacadas figuras da história nacional em locais que se celebrizaram, desde a casa de campo do duque D. Teodósio I até ao Marco da Lua, centro de reunião dos caçadores da comitiva de El-Rei D. Carlos…

Outros motivos, porém, de razão geográfica diremos, poderiam levar à Tapada Ducal o visitante curioso… Correm ainda, por seus vales, montes e planícies, os animais bravios de caça abundante, justificada atracção dos apaixonados da montaria, hoje como em todos os tempos…

Ali, a paisagem, a paisagem alentejana afinal, nem por ser violenta ou agreste, deixa de conter panoramas dos mais belos da Natureza. Do alto das colinas a visão que se oferece é admirável e convida à meditação e à evocação dos sentimentos mais puros das boas gentes do Alentejo. A Tapada de Vila Viçosa é, pois, um pedaço do Alentejo onde se vive, a par da tradição enraizada no solo e nos habitantes, toda a magia desta província.

In Vila Viçosa – História, Arte e Tradição

Imagens: Fundação da Casa de Bragança, Câmara Municipal de Vila Viçosa e autores desconhecidos

Para votar na Tapada Real envie um e-mail para orestaurador@gmail.com ou terrasdemarmore@sapo.pt

Santuário de Nossa Senhora da Conceiçáo de Vila Viçosa

Santuário da Padroeira de Portugal, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, antigamente chamada de Santa Maria do Castelo, situa-se dentro da cerca das muralhas e foi visitado pelo Papa João Paulo II em 1982 e palco do baptismo da Infanta D. Maria Francisca Isabel de Bragança em 1997.

Remodelada após o terramoto de 1755, sofreu, ainda, profundas alterações nos fins do século XIX, assumindo o seu exterior as linhas sóbrias que hoje conserva. Foi ainda alvo de um restauro exterior durante o ano de 2005.

O interior, de três naves, apoiadas em fortes colunas dóricas, é amplo e acolhedor.

Do seu inventário artístico fazem parte, além do precioso conjunto de azulejos azuis e amarelos e de bom desenho do século XVII, peças de raro valor artístico como o precioso sacrário do século XVII da Capela do Santíssimo, a relíquia do Sagrado Espinho da Coroa de Cristo, as tribunas e mesas das confrarias e, ainda, valiosas jóias do tesouro.

Na capela-mor, com pinturas a óleo e excelente talha dourada, venera-se a imagem de Nossa Senhora da Conceição, cuja escultura primitiva se atribui ao século XIV, protegida por grade de rótulas de prata branca. Numa das paredes laterais, expõe-se a bandeira portuguesa da vitória de Montes Claros (1665), oferecida pelo Marquês de Marialva.

A Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa dedicou o Rei Restaurador o Reino, em 1646, escolhendo-a para Padroeira de Portugal. O seu solar é hoje um lugar de peregrinação e muita devoção.








In Vila Viçosa – Vila Museu

Imagens in Câmara Municipal de Vila Viçosa

Para votar na Porta dos Nós envie um e-mail para orestaurador@gmail.com ou terrasdemarmore@sapo.pt