quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Igreja de Nossa Senhora da Lapa


Igreja setecentista (1756) de fachada barroca “exemplar de linhas originais, airosas e admiravelmente recortado no pórtico e nas torres, de cúpulas bolbosas”, segundo a descrição de J. A. Ferreira de Almeida. Situa-se no Campo da Restauração, comummente chamado do Carrascal.

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Fonte da Praça (antiga Fonte do Carrascal)

A Fonte da Praça, em tempos chamada do Carrascal, porque daqui se transferiu no ano 1886, é a mais elegante de todas elas na sua traça seiscentista, com tanque e taça octogonais, erguendo-se sobre esta “o tronco de um balaústre cilíndrico ondeado, donde nasce a taça superior, em forma de cálice redondo, de cujo urnário jorram quatro bicas de ferro” (Túlio Espanca). Situa-se em frente da Igreja da Misericórdia, na rotunda-eixo da Praça da República – Avenida Bento de Jesus Caraça. Quando veio do Carrascal ficou montada em frente do edifício da Câmara Municipal e só nos anos 40 se implantou definitivamente no sítio actual.








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Estátua Equestre D. João IV

A elegante e monumental Estátua Equestre do Rei Restaurador mede acima do plinto seis metros, é obra de bronze da autoria do escultor funchalense Francisco Franco (1885 – 1955) enquanto que o pedestral de granito é do risco do arquitecto Pardal Monteiro (1897 – 1957).

Segundo Sant’Anna Dionísio, o escultor “tentou, parece, de certo modo, reconstruir o falado e fortíssimo ginete de nome o Baluarte que D. João IV mandou comprar na Andaluzia, alguns meses antes da revolução de 1640”, cavalo que foi comprado a um baluarte pelo mestre estribeiro-mor do Duque, António Galvão de Andrade, “encantado com a sua grandeza e segurança” e que mantinha tal dignidade nos desfiles e paradas “que mais parecia cavalo de metal”. Este mestre Galvão de Andrade afirmou que foi nesse magnifico animal que o novo monarca fez o percurso em Lisboa desde o Palácio Real até à Sé no dia da sua aclamação.






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Estação Ferroviária de Vila Viçosa

A Estação Ferroviária de Vila Viçosa data dos inícios do século XX, mais precisamente de 1904, sendo revestido, no interior, de azulejos policromos. No exterior, são igualmente dignos de destaque os painéis azulejares azuis e brancos que revestem todos os alçados, evocativos de paisagens alentejanas e de recantos urbanos de Vila Viçosa. Foi desactivada no início dos anos 90 e actualmente alberga o Museu do Mármore de Vila Viçosa.




In Museu do Mármore

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Convento e Igreja dos Agostinhos

Este foi o primeiro mosteiro de Vila Viçosa (1267), anterior ao foral afonsino de 1270, concedido porventura, entre outras razões, pelo facto da existência do convento primitivo; sofreu importantes transformações no tempo de D. Jaime, no século XVII quando se tornou panteão dos duques e nos reinados posteriores de D. João V, D. José e D. Maria I. Após a extinção das ordens religiosas (1834) passou à posse da Casa de Bragança, foi quartel até 1939 e de 1951 ocupado pelo Seminário Menor de São José, cedido definitivamente à Arquidiocese de Évora em 1963. A sua Igreja é considerada Monumento Nacional e é um exemplo do estilo barroco, de fachada um pouco pesada mas imponente, flanqueada por duas altivas torres sineiras. É também desde 1677 panteão dos Duques de Bragança.

Ali se encontraram os restos mortais daqueles que na história se demarcaram pelo espírito, pelas virtudes e pelas obras: à esquerda de quem entra, D. Afonso, o filho bastardo de D. João I, pelo casamento com D. Brites Pereira, raiz da Sereníssima Casa de Bragança; o seu túmulo é o único feito de granito, originariamente montado em Chaves e em 1942, transferido para este lugar; nas seis capelas laterais, de pórtico renascentista algumas, forradas de mármore e de belos azulejos da época outras, descansam D. Fernando II, os dois Teodósio I e II, ambos de tão viva memória pelo muito que se deram ao problema da cultura humanística; de lado da Epístola, estão D. Fernando I, D. Jaime, o grande herói de Azamor, e D. João I. Em outros túmulos, encontram-se ainda figuras ligadas à mesma nobre família: D. Manuel e D. Maria, filhos do Rei D. João IV, falecidos de tenra idade; D. Alexandre, arcebispo de Évora e seu sobrinho do mesmo nome, D. Filipe irmão de D. Teodósio II; em sepultura rasa, ainda D. Rodrigo de Lencastre, irmão do duque D. Jaime. Vazia uma das caixas tumulares com inscrição explicativa de que se reservara aquele lugar para as cinzas de D. Duarte, irmão de D. João IV, cavaleiro andante de toda a Europa Central, por onde serviu Reis e grandes senhores, e finalmente falecido e sepultado em Milão. Mais recentemente, em Dezembro de 1976, foram ali depositados também os restos mortais de D. Duarte Pio, penúltimo do título, pai do actual duque D. Duarte Pio.






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Convento e Igreja das Chagas

Vila do Alto Alentejo intimamente ligada à Casa de Bragança, Vila Viçosa possui um singular e elegante cenóbio no monumental Terreiro do Paço. Trata-se do Convento das Chagas de Cristo, casa religiosa fundada em 1514 por D. Jaime, 4.º duque de Bragança. O objectivo de D. Jaime era o de transformar o interior da igreja conventual em panteão familiar da parte feminina da Casa de Bragança. Posteriormente, outros membros desta real casa nobre portuguesa assumiram o seu papel de mecenas e apoiaram esta casa religiosa.
O convento foi entregue às monjas da ordem feminina de Santa Clara. Em 1535 chegaram ao convento as primeiras oito freiras clarissas, provenientes do Mosteiro de N. Sra. da Conceição de Beja. No seio da sua humilde comunidade, tomaram o hábito de clarissas algumas das mais nobres senhoras de linhagem do Alentejo. Apesar do despojamento desta ordem mendicante, as diversas doações fizeram do convento uma das mais ricas e opulentas casas religiosas nacionais.
O padroado do cenóbio manteve-se na Casa de Bragança até ao século XIX, altura em que foi anexado pela Fazenda Nacional. Mais tarde, o rei D. Carlos voltaria a adquiri-la para a Casa de Bragança. Em 1932, o exilado D. Manuel II doou o convento ao Arcebispado de Évora. As suas instalações foram utilizadas para diversos fins, estando, presentemente, a sofrer importantes obras de restauro e reintegração.
Como é norma na Ordem das Clarissas, o portal principal da igreja localiza-se na parede lateral, espaço que assume o maior protagonismo arquitectural. Vários e desnivelados elementos compõem a sua estrutura. O portal revela uma linguagem renascentista, interpretada com regionalismos particulares, constituído por pilastras ladeando um arco de volta perfeita, marcado por frontão ressaltado e medalhões antropomórficos nas cantoneiras. Lateralmente impõe-se um janelão rectangular. No lado oposto, o corpo dos coros e da nave é marcado por contraforte dividindo dois monumentais arcos cegos. Contígua sobressai a torre de quatro sinos, encimada por vertical coruchéu hexagonal e marcado por quatro pináculos.
A nave, única e ampla, apresenta uma cobertura de abóbadas ogivais nervuradas e artesoadas, filiando-se na arte manuelina e revelando uma profusa decoração classicista de emblemática franciscana, rodeada por motivos fitomórficos, zoomórficos e de pequenas cabeças de anjos. As paredes apresentam-se revestidas por azulejos do século XVII, realçando a beleza de pinturas narrando episódios da vida de S. Francisco de Assis. No espaço da nave surgem quatro altares de talha dourada, os dois colaterais seiscentistas, enquanto os restantes laterais são obra barroca do século XVIII e se encontram enquadrados por silhares de azulejos.
O arco de triunfo da capela-mor é moldurado com clássicos motivos em mármore branco, sendo a cobertura da cabeceira realizada por abóbada manuelina polinervurada. No século XIX, as paredes e o tecto da capela-mor receberam pinturas neoclássicas. O retábulo-mor é de talha dourada do século XVII, apresentando uma tela com o episódio da "Incredulidade de S. Tomé", para além de um sacrário triangular com um relevo da "Ressureição de Cristo".
Os mais espantosos apontamentos arquitectónicos do cenóbio revelam-se nos dois coros. A Capela de S. João Baptista - mostrando o seu belo retábulo quinhentista de "S. João em Patmos" e bons apontamentos de azulejos e de frescos na abóbada - estabelece a ligação à sacristia e ao claustro, partindo deste pátio o acesso ao admirável coro baixo - panteão das mais ilustres senhoras da Ordem das Clarissas e da Casa de Bragança, sob as quais se encontra a cripta das abadessas. Este coro baixo é obra do século XVII e apresenta abóbada manuelina de aresta, sustentada por coluna central, estrutura alterada pela decoração rocaille da segunda metade do século XVIII.
O acesso ao monumental coro alto é realizado por um antecoro profusamente decorado. Esta ala conventual é de maiores dimensões do que a igreja, estando coberta por uma abóbada de berço pintada com motivos barrocos do século XVII.
O claustro do século XVI foi reformulado no século seguinte. A claustra é formada por dois andares e cada galeria está dividida em cinco tramos contrafortados. O piso inferior é preenchido por uma dupla colunata de arcos de volta perfeita, enquanto o andar superior é ritmado por aberturas rectangulares duplas e separadas por pilastras em mármore. Na parte superior do claustro foram edificadas outras dependências, enquanto o espaço interno das galerias claustrais possui pequenas capelas revelando sepulturas, altares, pinturas murais e outras decorações.









In Diciopédia X [CD-ROM]. Porto: Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65261-4


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Convento e Igreja da Esperança


Em Vila Viçosa ergue-se o Mosteiro de N. Sra. da Esperança, cenóbio criado pela vontade da Casa de Bragança após 1548, mais propriamente pela mão da Duquesa D. Isabel de Lencastre. No entanto, as obras arrastar-se-iam por mais de dois séculos e meio.
Nela se acolheu uma comunidade de freiras clarissas que ocuparam o mosteiro até 1866, altura em que a última freira foi transferida para o Mosteiro das Chagas de Cristo. A igreja salvou-se, o mesmo não acontecendo às demais dependências conventuais, demolidas ou vendidas a retalho.
Na singela fachada da antiga igreja conventual de N. Sra. da Esperança pode-se observar um portal sóbrio, composto por largas ombreiras e por uma cornija ressaltada.
A nota de maior destaque vai para a composição relevada, em mármore, que preenche o tímpano da empena, uma das maiores obras escultóricas da segunda metade do século XVI. Como tema central surgem as figuras da Virgem com o Menino, ladeadas pelos anjos protectores de Portugal, S. Rafael e S. Gabriel, ajoelhados e segurando uma fita que vão desenrolando, onde se pode ler uma saudação à Virgem Maria. O tímpano é rematado por uma legenda em latim dizendo: "A salvação de todos e a Esperança de cada um".
Acima da frontaria ergue-se a torre sineira, coberta por uma cúpula bolbosa. Em redor da igreja são visíveis certos trechos arquitectónicos, alguns deles partes das antigas dependências conventuais.
De grande altura e comprida dimensão, a nave única do corpo da igreja é coberta por abóbada de berço decorado com pinturas proto-barrocas do século XVII. As paredes são revestidas por tapetes de azulejo-padrão do século XVII. Nelas expõem-se imensos quadros de pintura a óleo seiscentistas, enquadrados por molduras setecentistas lacadas a vermelho e ouro. Próximo do púlpito de mármore está o altar de N. Sra. do Pilar, mostrando um painel maneirista ilustrado com a Assunção da Virgem.
No altar de S. Vicente Ferrer observa-se uma maquineta do século XVIII, em talha dourada da época joanina, constituída por um templete com três nichos, abrigando-se no central a imagem do homenageado.
No coro baixo estão os túmulos em campa rasa das Duquesas D. Leonor de Gusmão e D. Isabel de Lencastre, a fundadora deste mosteiro. Aqui podem-se admirar cinco painéis dos inícios do século XVII e que versam sobre temas do Apocalipse de S. João, enquanto pinturas a fresco acrescentam colorido a certas zonas das paredes deste espaço. O coro alto é uma dependência do século XVI, coberto por uma abóbada de berço com caixotões ornados de pinturas de anjos e motivos fitomórficos. Nas paredes expõem-se quadros do período maneirista.
Abertas nos flancos do arco triunfal estão as capelas colaterais, contendo bonitos altares seiscentistas de mármore. Num deles é visível uma bela escultura do século XVII, em madeira estofada e dourada, alusiva a S. João Baptista.
A capela-mor é coberta por uma cúpula semi-esférica que repousa sobre trompas, decorada por pinturas a fresco com perspectivas arquitectónicas, anjos músicos, motivos fitomórficos e que enquadram variada figuração hagiográfica. O retábulo principal é uma composição de talha dourada do Barroco Nacional, de transição dos séculos XVII-XVIII e expõe um aparatoso sacrário.
Perpendicular e contígua à igreja, desenvolve-se a Capela da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, comprida e estreita, protegida por uma composição de madeira gradeada, lacada e pintada. Guardam-se nesta galeria 14 telas de santos penitentes e que, habitualmente, saíam na Procissão das Cinzas.
A Igreja de N. Sra. da Esperança de Vila Viçosa foi classificada, no ano de 1944, como Imóvel de Interesse Público (I.I.P.).

In Diciopédia X [CD-ROM]. Porto: Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65261-4

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